[Entrevista] A polêmica das “cinquentinhas”

[Entrevista] A polêmica das “cinquentinhas”

Entrevista

Um dos ciclomotores mais vendidos no Brasil é, atualmente, alvo de discussão. Ágil, versátil e econômica caíram rapidamente no gosto do povo e saiu dos condomínios e locais fechados para vias públicas, onde domina o cenário com vendas cada vez mais crescentes. Léo Toscano, 54, empresário e presidente da ANUC –Associação Nacional dos Usuários de Ciclomotores, defende em entrevista exclusiva a Motoboy Magazine e fala da qualidade de vida, geração de emprego e econômica que ela proporciona.

Motoboy Magazine – Qual a melhoria na qualidade de vida que o ciclomotor proporciona aos seus usuários?

Léo Toscano – O ciclomotor representa a democratização do transporte. Graças a ele, o trabalhador teve, pela primeira vez, a oportunidade de possuir um veículo próprio, que proporciona uma melhor qualidade em sua vida. Um dos fatores importantes foi a diminuição do tempo do trajeto da sua residência para o trabalho, o que implica em ganho de produção. O trabalhador, que gastava até três horas entre espera de ônibus e chegada a sua residência, hoje reduz esse tempo de transporte pela metade, podendo dedicar mais tempo à família e acompanhar de perto os filhos. Esse ganho de tempo no deslocamento implica, sim, em melhor qualidade de vida. Além do mais, a grande maioria tem seu salário que é proporcionado pelo seu ciclomotor.

MM – Quais os benefícios econômicos que o ciclomotor oferece a seus usuários?

LT – Nas cidades, elas continuarão sendo uma alternativa barata em relação ao transporte público, e servem como poderosa ferramenta para profissionais liberais. Economicamente é mais viável comprar um ciclomotor do que pagar passagem de ônibus todos os dias. Como esse custo de passagem é elevado, muitos compram um ciclomotor e conseguem reduzir seus gastos com passagem. Os que já fizeram a troca de transporte público para um ciclomotor dizem que o investimento se paga no período abaixo de dois anos. Sem contar o tempo que ele vai ganhar em sua locomoção, e isso pode ser traduzido como uma melhor qualidade de vida, pois terá mais tempo livre para produzir e ficar com a família (coisa que poucos pais têm tempo de fazer nos dias atuais). Outro ponto super importante e relação aos benefícios econômicos é um baixo custo de manutenção que o usuário tem com esse veículo.

MM – Qual o perfil dos usuários de ciclomotores?

LT – Um pouco da classe C e a grande maioria das classes D e E, devido ao fato do uso desse meio de transporte ser feito por trabalhadores de baixa renda, tais como trabalhadores da construção civil, vigias, porteiros, caseiros, pequenos agricultores, estudantes, comerciários, etc. Também podemos constatar que houve uma grande migração na aquisição de 50cc por parte de pessoas que antes eram usuários de motocicletas, bicicletas e na zona rural usavam o jumento e precisavam de um transporte econômico, versátil e com baixo custo de manutenção.

MM – Pode-se dizer que o ciclomotor é uma fonte geradora de emprego?

LT – Com certeza. É o transporte do pobre trabalhador que ainda ousa trabalhar e levar para casa o pão de cada dia. Profissionais liberais como encanadores, pintores, eletricistas, serviços de entrega. São esses profissionais que também contribuem muito com o uso de ciclomotor para desafogar o trânsito.

MM – O ciclomotor preencheu uma lacuna que existia em relação à deficiência de um transporte para locomoção?

LT – Às vezes, o trabalhador precisa se deslocar por um ou dois quilômetros até um ponto de ônibus e esperar horas pelo coletivo. Sem falar que a maioria viaja em pé, em ônibus lotado e muitas vezes precisa pegar um segundo para, que possa chegar ao trabalho. Levando-se em consideração a péssima estrutura e qualidade do transporte urbano nas grandes e médias cidades, a mobilidade urbana é um grande fator para que as pessoas adquiram um ciclomotor como solução para o trânsito caótico que presenciamos nas grandes cidades. É importante levarmos também e consideração o bem-estar dos usuários, pois livraram-se dos preços exagerados das passagens de ônibus, do péssimo atendimento e a da imensa perda de tempo na espera.
MM – Os valores dos veículos ainda são muito altos no Brasil se compararmos com os preços dos países da Europa ou Estados Unidos. Como o senhor vê isso?

LT – No Brasil, vimos um fenômeno, o qual se desenvolveu super-rápido, ou seja; uso dos ciclomotores como uma solução de ótima mobilidade, prática e com baixo custo em consumo. Como o ciclomotor é um veículo com um baixo valor para aquisição, permitiu-se que muita gente tivesse acesso ao seu primeiro veículo motorizado. Um apresentação custa menos do que os gastos com passagem de ônibus. Sem contar que o veículo próprio representa liberdade para sair e chegar, sem ficar à mercê do serviço de transporte público, que sabemos é caótico em boa parte do País.

MM – Esse meio de transporte proporcionou uma dignidade aos trabalhadores?

LT – A dignidade da pessoa humana é um princípio universal, do qual derivam os direitos humanos e os valores democráticos os quais são fundamentais para um convívio social. É a realização do sonho de consumo de transporte para uma classe que tem um baixo poder aquisitivo.

MM – Qual a alternativa que o mercado oferecia para que o trabalhador adquirisse o seu transporte próprio?

LT – Nenhuma. O primeiro deles era a vontade das pessoas de não pagar IPVA e licenciamento. Aliado a isso, um produto que gastasse pouco combustível e que fosse barato. O mercado queria algo assim, principalmente os que pertencem às classes C, D e E.

MM – O ciclomotor também é usado para o lazer?

LT – O ciclomotor se tornou a única forma de condução e lazer nos finais de semana para muitas famílias.

MM – Qual a média de consumo de combustível feito por um ciclomotor?

LT – O ciclomotor chega a fazer 60 km com um litro de gasolina. Em sua, tiveram uma melhoria na qualidade de vida e uma economia nos seus gastos com transporte.

MM – É verdade que na área rural estão trocando o jumento pelo ciclomotor?

LT – Sim, pois é um transporte versátil e econômico. Eles alegam que o Jumento todos os dias tem que ser alimentado mesmo sem usá-lo, é muito lento, adoece, só transporta uma pessoa e perde o seu meio de transporte quando ele morre. Trabalhadores da zona rural também estão usando o ciclomotor.

MM – Outros países fora o Brasil, o uso do ciclomotor é feito e larga escala?

LT – Sim, Tailândia, China, Vietnã, por exemplo. Pode-se dizer que todos os países da Ásia fazem um uso em larga escala. Vários desses países têm uma frota de ciclomotores maior que de automóveis.

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